“A dupla revolução: análise da Revolução Francesa e da Revolução Industrial na Inglaterra”

Estou aqui pensando: as Revoluções Cognitiva, Agrícola, Cientifica e Industrial foram “Luta de classes”? Elas me parecem espontâneas, não foram planejadas e só nomeadas como “revolução” depois de percebido o impacto. Já a Revolução Francesa, e todas as outras, são intencionais, um grupo de pessoas se reuniu para mudar algo. Ou seja, “revolução” é quando efetivamente há mudança, intencional ou não.

historiadoresbr

Adriano Nascimento Araújo Filho

Edvaldo Batista de Sousa Filho

Revolução

No que diz respeito ao saber historiográfico, Revolução é um dos poucos conceitos das ciências sociais e políticas cujo significado não é controverso, apresenta uma forma única, o que pode mudar o sentido de tal conceito é a maneira como esse é aplicado. De acordo com Hector Bruit Revolução é como um fenômeno político-social de grandes mudanças sociais. De modo que Revolução pode ser tida como um processo traumático, pois acaba movimentando a sociedade do seu estado natural, promovendo uma mudança na estrutura social da mesma.

 Sendo assim, Revolução vai possuir um valor diferente para os contemporâneos de suas mudanças, a luta entre as classes vai promover ideais diferentes de como lidar com a mesma. Em todo caso atualmente o conceito, a palavra: Revolução é ou ao menos vem sendo aplicada para designar alterações contínuas ou súbitas que ocorrem…

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Mother!

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O filme “Mother” é uma rapsódia para os processos de criação do Artista. A linguagem do filme é toda simbólica:

O Artista é personificado por Javier Bardem.

A personagem da Jennifer Lawrence é uma analogia para a Musa, a Inspiração. Ela anda descalça, como as deusas, é ingênua, ou seja, uma Ideia pura. Exatamente igual às mulheres do início e do fim do filme, a que queimou até as cinzas no início e a que aparece na cama no final.

Os visitantes inicias (família do Ed Harris) representam as ideias novas que o artista precisa para o processo criativo, e que ele deseja conhecer e que invadam sua casa.

A musa “é a própria casa” no sentido de que ela está na mente do artista, pois a casa é a mente dele em si (Jung): a sala é onde todos entram e circulam, o porão é o subconsciente (onde nem a musa conhece muito, apesar de ter curiosidade com as coisas esquisitas de lá), o quarto em cima onde fica a pedra em que tudo se reconstruiu é aberto e depois fechado com a intromissão excessiva das ideias novas num local onde só a ideia pura pode visitar.

A cena de sexo é onde, finalmente, artista e ideia de encontram, o momento é violento e forte propositalmente. E de lá acontece a concepção da ideia: a obra-prima do artista toma forma. O bebê em concepção é uma metáfora para isso. Quando o artista mostra para a musa o poema pronto ela já sabe que vai perdê-lo, é a primeira coisa que ela pergunta, ele nega e sai correndo para atender o telefone e colher os louros de sua vaidade, pois já está mostrando seu “filho” para o mundo.

O filho deles é a sua obra pronta para o povo devorar antropofagicamente, sem pensar, sem entender, sem noção alguma, todos completamente dentro da cabeça (casa) do artista comendo sua obra , destruindo (criticando). Só que o artista não tem opção, ele também é o que é, ele tem de dar o que produziu, se não entregar sua arte não é mais ele, assim ele deixa que tudo seja consumido até as cinzas.

O processo é doloroso e no final só resta um pedacinho essencial de tudo isso, e esse pedacinho é o diamante que é o recomeço de tudo quando uma nova musa (ideia) surgir.

O Aronofsky deu pistas falsas do significado do filme em entrevista, só que dá para ver suas microexpressões jocosas, tirando sarro de tudo isso. Para ele deve ter sido uma libertação, depois de “ O Cisne Negro”, que ninguém entendeu também, foi tipo um “Foda-se, devorem essa porra sem nem sentir o gosto”.

Desempoderamento

O movimento feminista deseja empoderar as mulheres as masculizando.

O movimento trans quer feminilizar os homens.

Assim mulheres e homens se tornam muito parecidos mesmo: igualmente fracos.

Assim ambos não exercemos nossas potencialidades biologicamente inerentes.

 

Meritocracia

Uma visão semântica

Merito: Do Latim MERITUM, “bondade, serviço, benefício, valor”, de MERERE, “merecer, adquirir, obter”.

Cracia: Do grego κρατία “poder”.

Michael Young cunhou o termo meritocracia pejorativamente ,no livro “Rise of the Meritocracy” (“Levantar da Meritocracia”, em português), publicado em 1958. Estava relacionado com a narração de uma sociedade que seria segregada tendo como base dois aspectos: a inteligência (QI elevado) e um grande nível de esforço. Ainda não tive a oportunidade de ler esse livro e entender o que levou o sociólogo à construção dessa palavra, porém constato que sua aplicação no senso comum é infeliz, pois deturpa o significado de “mérito”. O sentido de mérito é muito bonito para este emprego. Ter mérito é conquistar algo por seus próprios esforços, inteligência, confiança, talento, merecimento, poder. Engraçado que a palavra “empoderamento” costuma ser simpática aos críticos de meritocracia e vem de “poder” também.

Essa análise conceitual é uma proposta para que distingamos os sentimentos que se confundem por uma confusão hermenêutica. Ou seja, primeiro temos de falar a mesma língua, tratar do mesmo assunto para em seguida podermos debater o conceito.

Mérito :

Machado de Assis era negro e pobre numa sociedade com mentalidade escravocrata e mesmo assim, com seus próprios méritos, conquistou, em vida, sucesso e admiração. Isso é simples, todos entendemos e a maioria d nós tem admiração por quem faz por merecer.

Destino:

Todos sabemos que nascer com quociente de inteligência elevado não é mérito, é uma circunstância que os motivos de ocorrerem ainda são estudados. Também somos cientes de que crescer num ambiente estruturado, com recursos e influências positivas não é mérito do que nasce, e sim uma circunstância. Para usar do senso comum: é sorte ou destino.  A melhor definição de destino que já vi é também a mais simples:

“Destino é o apelido para todas as coisas sobre as quais não temos nenhuma influência; é o que acontece conosco, mas não foi causado por nós. Isso é destino”.

Zygmunt Bauman

 

Desigualdade social:

É natural que o que transtorna é que haja desigualdade social. Sempre ouço a analogia de uma corrida onde quem tem grana e bons amigos começa muito a frente, nessa imagem vejo que as posições não são atingidas por mérito e sim por circunstâncias também. Esse tema é muito mais profundo e envolve mais variáveis. Devemos tratar da desigualdade social seriamente, com propósito de gerar um ambiente onde competir seja possível, viável e não uma luta inglória, pois assim tiramos os méritos de todos:

Dos quem estão nas pole-position por denotar que só realizam conquistas por causa da sua estrutura e mais nada, tira-se todo o brilho de seu desempenho.

E dos que estão nas posições mais atrás por partir da premissa que não há como lutar, se conseguirem algo é por regime de cotas, por caridade ou desonestidade.

Injustiça:

Ver quem rouba, engana, saqueia e deturpa valores prosperar é um veneno para o indivíduo que guarda, preserva e segue os valores e códigos sociais. Há quem desafie ou enfrente a lei, pois nem sempre ela está correta (a escravidão, por exemplo, era legalizada há 130 anos). Aqui não falo dos corajosos que com elevados padrões morais desafiam o status quo, falo dos ratos, dos ladrões, de quem se favorece de uma posição para enriquecer com o que não é seu, que não produz nada de útil, só engana e trapaceia gerando repugnância primeiro contra o fraudador, depois atração pela fraude por ser um atalho que muitos tomam impunimente .

Misturar todos esses fatores diferentes e formar a palavra “meritocracia” é anunciar: FIGHT!

 

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Essa briga onde aborda-se assuntos diferentes só fortalece a desigualdade das condições , confunde os significados e significantes e aumenta o desprezo de todos contra todos . O bom combate, nosso combate, é por  falarmos a mesma língua, entender o que está sendo expressado e tratar das soluções com ações efetivas e menos discursos de aplauso fácil.

Podemos ter essa discussão sem maltratar uma palavra que denota honra e trabalho.

Todas as vezes que se entra na discussão de meritocracia os críticos atacam o que há de desigual na sociedade e não as conquistas de alguém que luta para alcançar seus objetivos com bondade, valores, ética e merece ser o que é e ter o que tem.

Eu sei que a significação de um signo advém de sua aplicação pelos falantes do idioma e que podem haver respostas do tipo “ Meritocracia já é um signo com vida própria, ou seja, já se desprendeu de sua origem semântica.” Ok, essa é só uma visão para distinguir mérito de sorte e podermos ter um ponto de partida sem entrar em loopings mentais desgastantes que não constroem uma discussão saudável.  Se entrarmos nessa questão semântica, que palavra realmente expressaria com mais honestidade e menos polêmica o que chama-se, no senso comum, de meritocracia?

Acredito que o uso do termo mérito é mal empregado no neologismo “meritocracia”. Abre precedente para polêmicas que insultam os que conquistam com honra na mesma proporção de quem se sente em condições desfavoráveis com a desigualdade social .

É preocupante se, mesmo com a contextualização, você pensa que o significado de mérito merece ser distorcido com o conceito de meritocracia. Será engodo para uma revolta contra quem realmente luta para conquistar o que é?